A Alfabetização no sistema penal é um desafio. A prefeitura de Belém, por meio da Coordenação da Educação de Jovens , Adultos e Idosos (Coejai) da Secretaria Municipal de Educação (Semec), em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra(MST) e Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap-PA) realizou, na tarde desta terça-feira, 30, a certificação das pessoas privadas de liberdade do Programa Alfabetiza, aplicado no Centro de Recuperação de Mosqueiro (CRMO), através o método “Sim, eu posso”.
A ação ocorreu no pátio interno do CRMO, com a certificação de 24 estudantes, que foram alfabetizados em duas turmas administradas pelo professor Eduardo Maique dos Santos.
Aprendizado
Para o educador, a experiência de dar aula em um centro de recuperação foi única, onde o aprendizado tem mão dupla. Tanto o professor como as pessoas privadas de liberdade aprendem e ensinam.
“Eu aprendi muito sobre religião e humanidade com eles e fiz refletirem, que o corpo pode está preso, mas a mente está livre e pode viajar por vários horizontes com a ajuda da educação” ensina o professor Maique dos Santos.
Em parceria com MST, a Prefeitura já alfabetizou 27 turmas de jovens, adultos e idosos, usando o programa “Sim, eu posso” que é um método de alfabetização em massa, utilizado para erradicar o analfabetismo em Cuba e já chegou a cerca de 30 países, com uma metodologia a partir de videoaulas.
Desafio – As duas turmas do CRMO foram as mais desafiadoras para o MST, como afirma Agano Machado, coordenador do movimento. “Quando chega nesse momento de certificação, a gente fica muito feliz sabendo da trajetória que essas duas turmas tiveram, porque as pessoas quando passam lá fora, olham pra cá de outra maneira”, informa Agano.
Ele explica, que muitas pessoas até questionaram o motivo de abrir uma turma de alfabetização dentro de um centro de recuperação. “Aí respondo que aqui têm pessoas que fazem cultura, que têm direito e que precisam de educação para enfrentar o mundo lá fora”, ressalta Agano Machado.
“É obrigação do poder público levar a alfabetização onde as pessoas estiverem. É isso que estamos fazendo pra zerar o analfabetismo em Belém”, explica o diretor geral da Semec, Laurimar Farias. Ele enfatiza, que a Prefeitura tem a meta de alfabetizar 11 mil pessoas com idade a partir de 20 anos até o final de 2024.
Expansão – Para avançar na educação das pessoas privadas de liberdade, a Semec já está em fase de finalizaão dos estudos para criação de cinco turmas da Ejai nos centros de recuperação localizados no bairro do Satélite, em Icoaraci e Mosqueiro ainda neste ano de 2023, com turmas de 1ª e 2ª totalidades.
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