Estudantes do 5º ano da Escola Municipal Nova Aliança, localizada no bairro da Pratinha, tiveram uma aula especial nesta sexta-feira, 2, no Memorial Verônica Tembé, no Parque do Utinga. A visita, guiada, é uma das ações do projeto Arte e Cultura Amazônica, desenvolvida pelo professor de arte-educador Rodolpho Sanchez e professora regente Geisa Costa.
Desde o mês de abril passado, alusivo a história dos Povos Indígenas, a criançada vem conhecendo um pouco da cultura indígena, a partir de imagens e gravuras de cartunistas indígenas, além de exposição sobre a culinária Amazônia e medicina tradicional e agora com a visita externa.
O professor Sanchez explica que o conhecimento não acontece só em sala de aula. O contato com a natureza no Parque do Utinga traz um pouco da cultura dos povos indígenas: a floresta. “A arte-educadora Ana Mae Barbosa fala que na educação artística a gente precisa não só produzir, mas vivenciar, experienciar e produzir arte também”.
Na visita, guiada por Mateus Novaes, do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor), e pelo turismólogo do museu Haroldo Tumã, da Secretaria Executiva de Estado de Cultura (Secult), os estudantes conheceram sobre o norte-americano David Richard, que por muitos anos visitou diversas aldeias indígenas, para recolher peças e montar um museu em Santarém.
Mas, com o falecimento do pesquisador, a Secult trouxe todo o material colhido por ele para Belém, um acerco de 1500, dos quais 200 estão em exposição. O nome do lugar é uma homenagem a Verônica Tembé, a primeira cacica da etnia Tembé-Tenetehara e uma importante articuladora política.
“É muito bom os estudantes de escolas públicas terem acesso ao Parque do Utinga, mais ainda, conhecerem o memorial. São 49 etnias representadas aqui, desde o Mato Grosso até as de outros países que fazem parte da Amazônia Legal, como Guiana, Venezuela, Colômbia”, comentou Haroldo Tumã.
Peças e artesanato – Divididas em vitrines: Universo simbólico, Música e corporeidade, Mundo do trabalho, Instrumental de caça e guerra, Domesticidade, os estudantes também aprenderam a diferença entre peças e artesanatos indígenas, que muita gente confunde.
As peças que mais chamaram atenção foram zunidor – espécie de “celular” do indígena, usado na floresta para se comunicar com a produção de vários sons -, jamanxim – mochila onde carregam as crianças – e coifa – espécie de cocar para crianças.
A estudante Sabrina de Nazaré Moreira, de 10 anos, que nasceu no município de Acará, logo identificou o tipiti e o pilão. “Eu fazia farinha. Ajudava meus pais”. Ela contou para os colegas todo o processo de produção da farinha exposta no museu.
Kauã Jordano dos Santos Queirós, de 11 anos, ficou encantado com as aulas de artes sobre a cultura indígena e sobre a peça jamanxim. “É importante aprender mais sobre a cultura indígena. Hoje tô conhecendo o Parque do Utinga e o museu. A mochila (jamanxim) também é bem diferente”, completou o estudante.
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