Clube do Filme desenvolvido em escolas municipais de Belém conquista primeiro lugar no Prêmio Mergulho 2023

• Atualizado há 3 anos ago

Para proporcionar uma aula diferenciada de sociologia, a professora Manuella Porto criou o projeto Clube do Filme, para debater questões sociais por meio do audiovisual com os estudantes do 8º e 9º ano das Escolas Municipais Manuela Freitas, em São Brás, e Amália Paungartten, no Guamá. A iniciativa é um sucesso e, agora, conquistou o primeiro lugar no Prêmio Mergulho 2023, promovido pela Fundação Cultural do Pará (FCP), dentre 25 propostas estaduais.

“É um projeto de impacto social, que envolve a comunidade e combate ao etarismo na escola”, revelou a professora Manuella, ao afirmar que a iniciativa ajuda no processo educacional de crianças e adolescentes, que, muitas vezes, vêm de complexas relações familiares e são atendidas na escola pública, dando seguridade para esses estudantes continuarem os estudos.

Eixos

O projeto trabalha quatro eixos: exibição (escolha dos filmes), estudo e pesquisa (produções paraenses), formação (currículo acadêmico e profissional) e produção (conteúdo audiovisuais) e tem como culminância o festival (mostra de trabalhos).

Agora com a premiação, o Clube do Filme vai garantir aquisição de equipamentos para produção de conteúdo e realização do Festival, com premiação para os cinco melhores conteúdos como reconhecimento aos adolescentes, entre eles os com Transtorno do Espectro Autista (TEA) da rede.

Após a aprovação do Núcleo de Arte, Cultura e Educação (Nace), vinculado à Secretaria Municipal de Educação (Semec), a professora e seus alunos já realizaram duas exibições de filmes para outros estudantes das sérias iniciais do ensino fundamental, que começa com a preparação do espaço, acompanhamento das crianças e elaboração de atividades para desenvolverem em sala de aula.

Experiências

Vivian Alexandra Azevedo Ferreira, 13 anos, 8º ano, é apaixonada por fotografia e logo se interessou pelo projeto. “Gosto muito de assistir filmes e conforme ia assistindo novamente, ia entendendo melhor a mensagem do filme. Fico lisonjeada de participar e saber que a minha escola tem esse projeto. É uma aula muito interessante. É bem interessante estudar mais os bastidores, porque é nele que a gente descobre mais coisas do que o filme em si”, disse a estudante da Escola Amália Paungartten, ao ressaltar a visibilidade e proporção que o projeto ganhou com a conquista do edital.

Maria de Nazaré Barroso Chaves, 14 anos, é estudante especial da Escola Manuela Freitas e destaca as produções audiovisuais que costuma consumir. “Gosto de filmes, mas vejo mais doramas, desenhos animados, séries. Com o Clube, percebi o impacto que a imagem pode causar na nossa mente. Aula fica mais leve, depois que entrei para o clube eu vi a importância de olhar para uma imagem e interpretá-la”, revela a adolescente.

Encontros

O projeto vem construindo relações importantes na rede, como o Centro Educacional de Inovação Tecnológica e Computacional (Ceftec), da Semec, com cursos de introdução a elementos básicos do design digital, criação, produção e publicação de conteúdos audiovisuais.

As oficinas são certificadas para que os jovens concluam o ensino fundamental com um conhecimento a mais, tanto na formação quanto para compor um currículo profissional.

Daniel Frazão, professor de arte da rede municipal de ensino foi um dos convidados do semestre. Ele compartilhou a sua experiência na área de artes visuais, como produção de conteúdo e linguagem audiovisual. A atividade encerrou, nos dias 23 e 27 de junho, o primeiro semestre deste ano e tem a missão de fomentar entre os alunos ideias para a produção de conteúdo, que será exibido no Festival de Audiovisual das duas escolas, no final do ano.

Subjetividade das coisas

“Como professor de artes visuais é enriquecedor, porque consigo trabalhar muito o processo criativo, dando ferramentas para eles produzirem conteúdo. Grande parte do mundo, da maneira que a gente compreende ele, é pelo visual. Aqui é minha função sensibilizar o olhar deles para contação do mundo. Essa fase é quando eles começam a perceber a subjetividade das coisas”, comenta Daniel Frazão, ao ressaltar a importância de trabalhar com os alunos as inteligências múltiplas em que cada um pode contribuir com o que tem mais habilidade.

O próximo a participar do projeto será o Centro de Referência em Inclusão Educacional (Crie) Gabriel Lima Mendes, da Semec, para realização do curso de Técnicas Comunicacionais em Libras.

Texto:

Tábita Oliveira

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