Nesta sexta-feira, 11, os estudantes do 9° ano da Escola Municipal República de Portugal, no bairro da Marambaia, receberam o projeto Pobreza Menstrual – Absorvendo Dignidade, promovido pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef): aconteceu um bate-papo e entrega de absorventes íntimos destinados às meninas e meninos trans da escola.
No Pará, o Ministério Público, por meio do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Sociais (CAODS), busca alertar sobre o cumprimento da Lei Federal nº 14.214/2021 e da Lei Estadual nº 9.342/2021, que tratam da pobreza menstrual e que influenciam na evasão escolar, uma vez que pesquisas mostram que ao menos 20% de jovens de 14 a 24 anos que menstruam já deixaram de ir à escola por não ter absorventes. Entre pessoas pretas com renda de até dois salários mínimos, o número sobe para 24%.
Direitos de quem mestrua
Durante a Roda de Conversa, a consultora para desenvolvimento e participação de adolescentes do Unicef, Thaissa Scerne, conversou com meninas e meninos sobre a menstruação e a saúde feminina. Esclareceu dúvidas e, principalmente, reforçou os direitos das pessoas que menstruam.
“O nosso foco é garantia de direitos e pra isso é importante que os adolescentes desenvolvam habilidades e competências para ocuparem espaços: que nenhuma legislação tramite sem ouvir os adolescentes de Belém”.
A estudante Sara Silva, 14 anos, conta que só quando teve a primeira menstruação houve um diálogo aberto com a mãe.
Durante a roda de conversa, Sara se prontificou a participar da oficina do Unicef que prepara multiplicadores para informar mais adolescentes sobre seus direitos. “Hoje descobri que tem um tempo certo pra fazer a troca do absorvente, senão pode surgir alguma doença. Com a oficina, vou poder ajudar outras garotas e garotos, explicando sobre os cuidados que temos que ter”, disse a estudante.
Ações municipais de cuidados com o corpo
Camila Malcher, da Coordenação Integrada de Saúde e Educação (Cines), da Secretaria Municipal de Educação de Belém (Semec), relata que a rede municipal de ensino de Belém já realiza diversas ações de cuidado com o corpo, e reforça o quanto é importante ter a parceria de outros órgãos.
“A gente teve um privilégio de receber a doação de absorventes do Ministério Público aqui nesta escola. Mas já tivemos outras escolas que receberam kit de absorvente do Unicef. Agora lutamos para que todas as nossas escolas tenham o seu kit de absorvente”, afirmou Camila.
A pedagoga Diana Braga, do CAODS/MPPA, que vai acompanhar a escola para que, no final de um ano, fazer um relatório sobre a evasão escolar, informa que “queremos perceber a relação da frequência escolar das pessoas que menstruam neste segundo semestre”.
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