Estudantes de Mosqueiro se encantam com projeto que ensina fabricação de objetos do mundo eletrônico

• Atualizado há 3 anos ago

Os alunos da escola municipal Abel Martins, uma das maiores em funcionamento no distrito de Mosqueiro, vivenciaram uma experiência única na manhã desta quinta-feira, 23. A turma fabricou seu próprio objeto eletrônico como resultado da oficina do projeto HackLab, criada pelo educador mineiro Fred Paulino, que está na região Norte pela primeira vez e chegou a Mosqueiro após passagem pelas cidades paraenses de Belém, Marabá, Parauapebas, Tucumã e Canaã dos Carajás. O coordenador do projeto destaca que, em dois anos, foram produzidos 1.200 objetos eletrônicos em formato “buzinhos”, em alusão ao ônibus que carrega em seu interior uma galeria de arte, objetos e aparelhos do universo eletrônico. A passagem por Mosqueiro, segundo ele, está sendo acolhedora. “O lugar é lindo e as crianças muito interativas”, disse.

Para execução no Norte brasileiro, o projeto ganhou apoio da Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec), Fundação Cultural de Belém, Semob e Agência Distrital. O patrocínio é do Ministério da Cultura e do Instituto Vale. “É a primeira vez que estamos no Norte do Brasil, saindo do circuito mineiro, no qual visitamos dez cidades, em 2023”, afirmou o educador Fred Paulino. Este é o terceiro projeto de cunho nacional que visita Mosqueiro este ano. Os primeiros versaram sobre cinema e teatro. 

Gambiarra

O projeto HakLab Volante usa o termo gambiarra de forma metafórica para tratar de arte, tecnologia, educação e sustentabilidade. Para o universo infantil, a junção dessas ideias faz muito sucesso, considerando que no mundo contemporâneo qualquer criança tem grande facilidade em manusear os aparelhos eletrônicos. As oficinas do projeto, segundo Fred Paulino, se transformam em portal de acesso ao universo tecnológico e de invenção.

Ainda na avaliação do idealizador do projeto, o processo de montagem do objeto eletrônico faz também a criança assumir o papel de protagonista e não consumista da invenção. “Esse momento é muito importante e as crianças ficam de fato encantadas porque são proativas e o aproveitamento é de 100% em todo o processo de criação da peça”, explica. A peça, o “buzinho”, é um pequeno objeto que funciona a partir da construção do circuito eletrônico alimentado com luzes de leds personalizados e que ainda podem ser recriados, ficando com a “cara” do seu criador.

Educação

O projeto ganhou nota máxima da direção da escola Abel Martins. A diretora, Gracy Peralta, disse que foi uma honra receber a turma do Hacklab Volante pelo caráter educativo. “Ficamos muito felizes quando soubemos que nossa escola estava contemplada para receber o projeto, já que para nós qualquer recurso que venha auxiliar nossos alunos em seu desenvolvimento pedagógico é sempre bem-vindo”, disse Gracy. A escola Municipal Abel Martins funciona no bairro de Carananduba, um dos mais populosos de Mosqueiro. São 989 alunos, atualmente, matriculados na unidade de ensino. As turmas contempladas para participar da oficina do projeto foram do 3º e 4º anos, que reúne crianças da faixa etária de 8 a 10 anos.

Invenção

Criar seu próprio “buzinho” foi o desafio da oficina do projeto Haklab Volante. E, para quem conseguiu montá-lo, a felicidade estava espantada nas carinhas. Os estudantes Levy Sadraque, 9 anos e morador da Baía do Sol; João Miguel, 10; e Carlos Henrique, moradores de Carananduba, não escondiam a alegria de levar para casa o objeto eletrônico que eles construíram. “Estamos muito felizes, aprendemos muito com essa oficina, principalmente matemática, que vai ajudar na escola, também”, os três foram unânimes em afirmar. Todas as crianças levaram seus “buzinhos” para casa.

Segundo Fred Paulino, mais de 1.200 ‘buzinhos” já foram fabricados por estudantes brasileiros em dois anos de aplicação do projeto. Em 2023, o projeto já visitou duas cidades de Minas Gerais, três no Maranhão e cinco no Pará. Em Mosqueiro, a programação se encerra nesta sexta-feira, 24, com visitação ao ônibus-laboratório e galeria que ficará estacionado na praça da Vila para visitação nos horários da manhã e tarde. Toda a programação é gratuita.

Texto:

Selma Amaral

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