“Sempre falo para meus filhos que tem que estudar para conquistar as coisas na vida. Busquei estar próximo deles desde que estavam no ventre da mãe e mais ainda depois do falecimento dela”, conta o vigilante João Alexandre Damasceno Pinto, 35 anos, pai da Ana Sophia Barbosa Pinto, de 9 anos, e da Sarah Valentina, de 6 anos, estudantes da Escola Municipal Palmira Lins de Carvalho, no bairro da Marambaia. Ele ainda é pai do pequeno João Lucas, de 3 anos.
Dedicação – O vigilante relata que não é fácil cuidar de três crianças sozinho, mas tem como exemplo o próprio pai, um homem honesto e dedicado. “Assim tento passar para os meus filhos um pouco do que aprendi com ele”.
Após um ano e quatro meses do falecimento da esposa, em decorrência de um aneurisma e covid-19 adquirida no hospital, João tem outra rotina. Pela manhã, ele leva as meninas na escola e acompanha o desempenho delas com as professoras.
À tarde, ele brinca e estuda com elas. E a noite, a sogra cuida das crianças, enquanto João vai trabalhar. “Dá trabalho, mas quando é com amor é gratificante. São meus tesouros que Deus me deu” reafirma João, orgulhoso em poder ser um pai amoroso e dedicado aos filhos.
Amor e cuidado em tempo integral
Neste domingo, 14, Dia dos Pais, a Ana Sophia conta o quanto ama seu pai. “Ele é muito legal. Me leva pra passear e tomar sorvete. E também amo minha escola. O meu pai sempre me ajuda nos deveres de casa”, disse, feliz.
Auxílio – O vigilante é um dos muitos exemplos de pais de estudantes da rede municipal de ensino, que a Prefeitura de Belém ajuda, por meio do auxílio estudantil Bora pra Escola, para garantir a permanência dos alunos na escola, principalmente em situações delicadas como a do João, que se desdobra pra cuidar e educar as crianças. Além de reforçar o relacionamento família e escola, que habitualmente é realizado na rede, por meio de uma comunicação acolhedora e afetiva.
Outro exemplo é o farmacêutico Emídio de Jesus Siqueira Júnior, de 43 anos, pai da Mariane Pires Siqueira, 12 anos, estudante da Escola Municipal Manuela Freitas, localizada em São Brás. Ele também é pai da Ellen Mayra Pires Siqueira, de 17 anos. A mãe das meninas faleceu há 2 anos e 3 meses vítima da covid-19. Emídio, antes do falecimento da mãe, dividia a responsabilidade na educação das meninas, mas agora ficou ainda mais presente na rotina delas.
“É um sentimento diferente ser pai. Fiquei muito feliz quando soube pela primeira vez que ia ser pai. Faço tudo para elas se sentirem bem. Não tem como substituir a mãe, mas tento amenizar, como por exemplo levar e ajudar no trabalho da escola, ir nas reuniões da escola”, conta Emídio.
“A gente tem que dar continuidade nas nossas vidas. Falo pra elas que tem que estudar ,que papai vai sempre estar com elas. A gente conversa bastante, troca ideia, brinca. Sou um pai bastante presente. Elas são muito agarradas comigo, mesmo antes, e agora, são mais ainda”, ressalta.
Pai consciente de sua missão
Para Mariane é muito bom ter um pai que a ajuda em tudo. “Tenho um pai maravilhoso. Gosto quando o papai me ajuda bastante na minha educação. Adoro quando faz comida pra mim. Ele é inteligente e gosto das reações dele nos filmes que a gente assiste”, conta a filha.
Essas duas histórias ensinam que seja qual for as condições e circunstâncias, um verdadeiro pai deve estar presente desde a gestação cuidando do desenvolvimento físico e emocional do seu filho, encarando as crises e adversidades da vida, sendo um pai responsável, presente, consciente do seu papel na vida da pessoa que ajudou a colocar no mundo.
Texto: Tábita Oliveira



