A I Festa Literária de Belém (I Flibe), que ocorre desde sexta-feira, 16, na Fundação Cultural do Pará (FCP), recebeu nesta terça, 20, o escritor e jornalista Nicodemos Sena. Nascido no rio Maró, no município de Santarém, Oeste do Pará, o romancista da Amazônia ficou conhecido nacionalmente pelo livro “A espera do nunca mais: uma saga amazônica”, obra que ganhou o Prêmio Lima Barreto/Brasil 500 Anos, concedido pela União Brasileira de Escritores.
Nicodemos é uma força da natureza, condição que pode ser explicada por ele ter passado parte de sua infância entre os índios Mawé, na região de fronteira entre os estados do Pará e do Amazonas.
Um dos autores mais esperados da I Flibe, que integra a programação da I Bienal de Artes de Belém, promovida pela Prefeitura, ele participou na manhã desta terça da roda de diálogos “Amazônia: texto e contexto – descolonizar é preciso”, no Auditório Central, e à tarde dos “Diálogos Literários” no Café Literário instalado no Anfiteatro.
Na palestra, o autor falou por meio de textos da literatura paraense que nos orientam a resistir e lutar contra o desmatamento e a violência contra os povos da floresta.
“Vamos abordar sobre livros que expressam a vivência amazônica e o complexo histórico de conflitos sociais e de violência que ocorrem na região desde a década de 60, no período da ditadura militar”.
Ele disse que este processo de invasão da Amazônia, promovido pela ditadura, só se agrava. “Com a abertura de estradas houve desmatamento em massa, expulsão dos ribeirinhos de seus territórios, genocídio indígena e as mais diversas violações”, afirmou.
Amparado em autores como Dalcídio Jurandir, Nicodemos falou da “necessidade de descolonizar a Amazônia, não aceitar o subjugo, resistir e desmontar esse manto de opressão”: “O rio não comanda a Amazônia, as estradas e suas consequências nefastas que comandam nossa floresta ou o que ainda resta dela”.
Foco – Para Nicodemos, a iniciativa da Prefeitura de Belém de lançar a I Flibe, que é organizada pela Secretaria Municipal de Educação (Semec), “é muito importante”.
“Me parece que a cultura amazônica e a educação amazônica estavam sendo direcionadas no sentido mais de valorizar o que é de fora, é isso que eu sinto. A literatura que é produzida lá fora, os artistas. Então, esta mudança de foco, de valorizar os autores locais, a literatura local, isto para mim é a primeira coisa que eu noto nesta iniciativa da Prefeitura de Belém”., ressaltou
Para ele, o importante que “isso se repita, que isso se firme. Na opinião delea, a Festa se torna mais importante, ainda, por formar gerações de leitores amazônicos e de professores, de mestres também, que tenham essa visão no sentido de descolonizar – ou decolonizar.
“Durante quatro ou cinco séculos de Amazônia o que a gente vê é que os colonizadores é que dizem o que nós somos, que dizem o que nós devemos ser. Isso tem que mudar, adquirir consciência crítica do que nós somos enquanto povo. Aí eu faço uma distinção, dentro do povo: os que exploram e os que são explorados, as oligarquias e o povo propriamente, que são os ribeirinhos, os caboclos, os indígenas e as populações proletárias, trabalhadoras das cidades”, acrescentou o escritor.
A obra ficcional de Nicodemos já foi comparada pela crítica à de outros grandes escritores brasileiros, como Graciliano Ramos, João Ubaldo Ribeiro, Mário de Andrade e Érico Veríssimo
O escritor e professor Alfredo Garcia, de 61 anos, ouviu Nicodemos à tarde, nos “Diálogos Literários”. Para ele, a participação do autor na I Flibe é da maior importância.
“O Nicodemos Sena reputo um dos maiores autores brasileiros contemporâneos e um dos autores fundamentais da bibliografia, da literatura da Amazônia. É um autor que sempre deve ser trazido aqui, ele é um registro histórico, é um paraense de uma região do Estado que vive as agruras dos problemas da Amazônia, que é a região do Oeste do Pará, e que registrou isso em livro. Parabéns à Prefeitura de Belém e à Semec pelo evento e por trazer o Nicodemos Sena para que a gente possa ouvir e usufruir deste grande autor paraense”, comemorou Alfredo Garcia.
Bienal – A I Flibe integra a programação da I Bienal de Artes de Belém e reúne escritores, romancistas e outros profissionais do segmento da literatura em palestras, oficinas e apresentações culturais. A festa conta ainda exposição e venda de livros de autores independentes e editoras locais.
Confira a programação cultural desta quarta-feira, 21, na I Flibe:
Palco:
Das 9h às 10h, apresentações culturais:
– Dança do Arraial do Pavulagem, com a Escola Municipal Círia de Nazaré;
– Contorcionismo acompanhado com violino, com a Escola Municipal Maroja Neto;
– Carimbó, com a Escola Municipal Maroja Neto;
– “Os Matintinhos”, com a Escola Municipal Anna Barreau;
– “Encanto de Boto”, com a Escola Municipal Anna Barreau; e
– Coral Infantojuvenil da Semec.
Das 16h às 17h, apresentação cultural:
– “Chuvas do meu Pará”.
Das 18h às 18h45, apresentação cultural:
– “Inesita”.
Das 19h às 19h45:
– Show de Dayse Addario.
Das 20h às 21h, apresentações culturais:
– Dança “Raiz e Sabor”, com a Escola Municipal Paulo Freire; e
– Peça teatral “Diga não a fake news”, com a Escola Municipal Olga Benário.
Café Literário:
Das 10h30 às 11h30:
– “Tecendo a Teia de Ananse”, mesa em Homenagem à professora Zélia Amador de Deus.
Das 15h às 16h:
– Conversa Literária com Daniel Leite.
Das 16h30 às 17h30:
– Narrativas indígenas na Mairí dos Povos.
Das 18h às 20h:
– Sarau do Recomeço.
Cinema Líbero Luxardo:
Das 9h às 11h:
– Mostra Filma Pará: “Arinoá”.
Das 14h às 17h:
– Mostra “Literatura na Tela”: “Vozes do Pará” com os escritores Heliana Barriga e Antônio Juraci Siqueira; “Chamando Ventos”, de Marcelo Rodrigues; e “Chuvas e Trovoadas”, de Flavia Alfinito;
– Cine Curau “Mostra para crianças inquietas”, com “Icamiabas na Cidade Amazônia”; e
– Mostra Filma Pará, com “Missão Mapuá”.
Auditório Central Ismael Nery:
Das 16h às 18h:
– Tecnologias digitais da informação e comunicação na educação: o papel das narrativas, com Geldes Castro, Letícia Carneiro e Leandro Araújo.
Das 19h às 21h:
I Mostra de Sabores da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai).
Sala de Restauro (3ª andar)
Das 9h às 13h:
– Oficina de Restauração de Acervos Bibliográficos.
Centro de Eventos Ismael Nery (1º andar):
Das 10h30 às 12h30 na Sala Zélia Amador de Deus:
– Oficina de Leitura Inclusiva.
Das 14h às 16h na Sala Heliana Barriga:
– Palestra “Projeto do Ecomuseu de Belém”.
I Flibe das Infâncias
Hall do 3º andar:
Das 15h às 16h:
– Contação de Histórias com Maiolina Neves.
Gibiteca:
Das 15h às17h:
– Oficina de Desenhos Amazônicos.
Brinquedoteca:
Das 9h às 11h e das 15h às 17h:
– Atividades para crianças.
Auditório Aloysio Chaves:
Das 9h30 às 9h45:
– Contação da história “A Matinta da Bicicleta”.
Hall do 3º andar:
Das 9h30 às 10h30:
– Performance Literária.
Texto:






