Aprovado documento que norteia políticas públicas para a educação de jovens, adultos e idosos

• Atualizado há 4 anos ago

Com o tema “Educação Popular, Participação e Liberdade”, a Prefeitura de Belém realiza o Fórum Municipal da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai). O evento, organizado pela Secretaria Municipal de Educação (Semec), ocorreu nesta quinta-feira, 17, no auditório Ismael Nery, no Centur. 

Um dos resultados do Fórum foi a votação do Regimento, que vai orientar as políticas públicas voltadas à Ejai. O documento foi construído a partir de debates com os estudantes das escolas municipais e votado com a participação dos representantes dos órgãos governamentais e não governamentais.

O coordenador da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai), Miguel Picanço, destacou que a modalidade de ensino vem desde 2021 vivendo um movimento de transformação com a retomada das turmas da Ejai, hoje com 177 turmas em 35 escolas, atendendo quase 5 mil pessoas. 

Superar o analfabetismo

“O Fórum é a culminância da proposta do governo municipal em tornar Belém uma cidade livre do analfabetismo e a Ejai tem sido prioridade, com a Portaria Conjunta nº 001/2021, do Programa Alfabetiza Belém“, informou Miguel Picanço, anunciando a certificação de mais 800 pessoas no dia 28 deste mês.

Ele explicou que, há um mês, a rede municipal de ensino de Belém debate com os estudantes os três eixos do Fórum: A Ejai e o mundo de trabalho, Alfabetização na Ejai e Gestão democrática na Ejai. Em cada plenária foram escolhidos seis representantes, sendo três estudantes e três trabalhadores da educação para apresentarem as reivindicações dessa modalidade de ensino oferecido em Belém.

Palestra

Para contribuir com o debate de políticas públicas para esta modalidade de ensino, o Fórum Municipal de Educação contou com a palestra da professora Maria Luíza Pinto Pereira, da Universidade de Brasília. Ela é mestra em Educação e, a partir do tema “Educação Popular e a alfabetização enquanto ação cultural para a liberdade”, fundamentou sua apresentação.

“Este Fórum tem como momento mais importante a construção do regime interno, com a parceria do governo e movimentos sociais, para fazer uma alfabetização que garanta uma cidadania de consciência crítica e construída de uma Belém mais justa, fraterna e democrática”, enfatizou a professora sobre o desafio da alfabetização na fase adulta. Ela fez, ainda, um panorama histórico, social e biológico do estudante da Ejai.

Estudante

Sofía Sebastiana Marques dos Santos representou os estudantes. Ela estuda na Escola Municipal Florestan Fernandes, no bairro do Benguí.

Natural de Alenquer e filha de professora, Sofia contou que, por causa da separação dos pais na infância e mudar de casa, para morar com parentes, começou a trabalhar ainda criança e, por isso, não conseguiu frequentar a escola regularmente. Mas, com os filhos crescidos, resolveu voltar a estudar e disse o quanto está sendo importante para ela.

“Eu aprendi a me socializar melhor. Com mais conteúdo na minha conversação, com uma convivência mais produtiva e sabendo me expressar melhor. Por ter mais conhecimento já estou conseguindo melhorar a minha vida não só financeira, mas emocional. Interagir com as pessoas foi muito importante pra esta transformação. Os professores foram fundamentais, porque eles nos incentivavam sempre”, relatou Sofia, emocionada.

Professora

No evento, os docentes foram representados pela professora Abia Nogueira, que dá aula na Escola Municipal Cordolina Fontelles, na Pratinha. Para ela, o evento é um marco histórico. 

“É importante frisar a valorização do docente, porque quando ele vem das instituições nem sempre tem essa experiência de Ejai na grade curricular”, diz Abia. “Então, precisa promover aos futuros docentes a experiência em estágios nessa modalidade, para quando integrarem o quadro da rede consigam ter uma valorização desde a instituição de ensino até a escola com esses alunos”, sugeriu a professora, parabenizando o trabalhado desenvolvido pela gestão municipal. 

Texto:

Tábita Oliveira

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