Estudantes exibem desenhos com tema antirracista no Liceu Escola Mestre Raimundo

• Atualizado há 4 anos ago

No mês da Consciência Negra, o Liceu Escola Mestre Raimundo Cardoso abriu nesta quinta-feira, 17, a exposição artística “Retratística Decolonial”, que resulta de oficinas desenvolvidas com estudantes da instituição, como forma de promover um resgate da cultura afro-brasileira e indígena da Amazônia.

A exposição conta com 25 desenhos, entre eles, do estudante Kaio Romeo, de 13 anos, que sempre gostou de desenhar mangás e animes, inspirado na cultura pop japonesa. Ele descobriu nas oficinas no Liceu novas técnicas de desenho e a beleza dos traços africanos. 

Desenhos revelam sonhos 

“Comecei a perceber os detalhes nas pessoas, diferenças e a beleza na face delas. Achei muito legal e estou feliz de trazer o tema da consciência negra”, revela Kaio. O estudante conta que desenha desde os 4 anos e que pensava desde pequeno como seria sua vida de artista. A partir da oficina de que participou e da exposição, agora quer tentar ser artista profissional.

Quem também já tem afinidade com a arte é a estudante Leilane Cristine de Oliveira Gonçalves, de 10 anos. “O desenho já fazia parte da minha vida. Aos 5 anos,  comecei a desenhar. Quando soube da oficina, comecei a mostrar os meus desenhos para o professor”, conta Leilane.

Ela fez uma pesquisa para aplicar as referências no seu desenho. “Queria ser desenhista e agora quero mais, porque ver o meu desenho em exposição me deu mais vontade de desenhar”, assegura a pequena artista.

Mães e pais participam da exposição

O sucesso das oficinas contou com o apoio e a presença dos pais dos estudantes, que ficaram contagiados com o resultado. Em especial, a dona de casa Edinei Gomes da Silva, 47 anos, mãe da estudante autista Edinalda Silva, de 15 anos.

“Como mãe me sinto orgulhosa e feliz dela participar e desenvolver a autoestima. Ela ficava retraída no cantinho dela, mas toda vez que vinha pra oficina ela saía daqui muito feliz e já falou que quer ser uma artista famosa, poder viajar o mundo todo na arte. Só que tem que ser o desenho dela”, contou a mãe, emocionada.

Educação pela arte

O artista visual, curador e mestre de saberes Jean Ribeiro, integrante do Núcleo de Arte, Cultura e Educação (Nace), da Secretaria Municipal de Educação (Semec), explica que durante as oficinas compartilhou e incentivou os processos artísticos decoloniais – contraponto ao colonialismo -, aos estudantes, por meio de leituras, reflexão, do contato direto com os materiais, como é o papel da educação, por meio da arte.

“Precisamos preparar essas crianças pra esse mundo aí fora. Então falamos muito sobre o racismo, o apagamento da arte africana, sobre o racismo velado no Brasil, tanto de povos de matriz africana quanto dos indígenas”, explica Jean Ribeiro.

Expandir

O curador ressalta que deverá levar a exposição para grandes salas de artes da cidade. “Está na hora de inserir os estudantes neste circuito de arte local”.

A exposição se estende até o final dezembro, de segunda a sexta, no horário de 8h às 17h, com agendamento pelo telefone 91-98018-5094 para visita guiada.

Texto:

Tábita Oliveira

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