Prefeitura de Belém lança e-books de estudantes e servidores da educação de jovens, adultos e idosos

• Atualizado há 3 anos ago

A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec), lançou na última nesta sexta-feira (3), os volumes I e II do e-book “Sabores e Saberes da Educação de Jovens, Adultos e Idosos – Ejai, Comidas, Memórias e Afetos”. Também lançou o caderno pedagógico para alfabetização desse público.

O evento contou com as presenças da secretária municipal de Educação, professora Araceli Lemos; da diretora de Educação (Died), Jaqueline Rodrigues; e da diretora adjunta da Died, Aline Rodrigues.

O material foi produzido pela Coordenadoria de Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Coejai), liderada pelo professor Miguel Picanço, e organizado pela equipe pedagógica da Coejai: Ângela Maria Melo Pantoja, Dirceu Bibiano Duarte e Eric do Socorro Moraes Gomes.

O encontro, realizado na Faculdade Estácio, começou com um banquete caboclo regado a sabores de dar água na boca dos mais exigentes paladares. E, para além dos aromas que perfumavam o ambiente, cada prato feito tinha histórias de lutas e de superação. E teve música e cantoria, poesia papa-chibé e emoção.

Sabores e Saberes

Os livros são resultado do festival de comidas apresentado por estudantes e servidores das escolas municipais durante a I Mostra de Sabores e Saberes, sob a execução da Coejai, um dos destaques da I Festa Literária de Belém (Flibe), em setembro do ano passado.

Toda essa produção intelectual, que esbanja memórias, afetos, histórias e ancestralidade, está documentada nos livros que carregam os cheiros da comida cabocla temperando, na cena pedagógica, o currículo da educação de jovens, adultos e idosos de Belém, estabelecendo o diálogo entre a cultura alimentar e a escolarização desses estudantes.

Já o caderno pedagógico também lançado na sexta tem propostas para a alfabetização desse grupo, baseadas na concepção freireana, de educação libertadora e transformadora. Essa iniciativa surgiu da necessidade de produzir um material que atendesse de forma qualificada ao público da Ejai, uma vez que o Ministério da Educação não produz livros didáticos específicos para este fim.

Você pode acessá-los pelos links: https://semec.belem.pa.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/Sabores-e-Saberes-EJAI-ebook.pdf

https://semec.belem.pa.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/ebook-Sabores-e-Saberes-EJAI-vol-2.pdf

https://semec.belem.pa.gov.br/wp-content/uploads/2023/03/Caderno-de-Propostas-Alfabetizacao-EJAI.pdf


Histórias de superação

 “É o livro da minha vida, e a sensação é de um recomeço”, conta com orgulho Odete Menezes, estudante da Escola Municipal Walter Leite, que detalha no livro a receita da sua Torta Doce de Açaí. Odete aprendeu a ler e a escrever ano passado, aos 53 anos.

 “Sinto uma felicidade grande de estar aqui e trazer neste alimento memórias do meu tio Antônio Carlos, que me ensinou a preparar esse prato”. A lembrança é da Ruth Lopes, servidora da Escola Municipal Olga Benário, que revela no livro os segredos do seu Avoado de Gó Contemporâneo.
 
“A fome me fez criar esse prato, estava desempregada e com quatro filhos, mas com a ajuda da minha irmã, fizemos o Vatapá de Abóbora que nos alimentou naquele dia. A oportunidade de aprender a ler e a escrever me mostrou que sou capaz e daqui pra frente vou conquistar mais vitórias”, relata emocionada Aldinéia Santana, estudante da Escola Olga Benário, que conheceu as letras aos 40 anos.

Amazonizar o currículo

Para o coordenador da Ejai, Miguel Picanço, a produção intelectual assinada nos e-books “é um momento histórico para Belém e para a Semec, garantindo a visibilidade deste público tão negligenciado e esquecido ao longo dos anos”. Para Miguel, “mais do que letrar, é preciso fomentar a consciência de um mundo mais igualitário e socialmente justo e inclusivo”.

A titular da Semec, Araceli Lemos, destaca que não é possível falar da Ejai sem lembrar das desigualdades sociais que provocam corpos invisibilizados e mazelas. “Não é possível manter tamanha exclusão, por isso, a gestão municipal tem como uma das metas prioritárias superar o analfabetismo na capital paraense, com esforço da equipe da Ejai, das escolas, de todos nós: vamos manter vivo esse sonho e transformá-lo num grande movimento de encantamento.”

Alfabetização à Mesa

Os livros lançados na sexta-feira consistem em mais um desdobramento do projeto “Alfabetização à Mesa: sabores e saberes”, que utiliza a riqueza e a diversidade da cultura alimentar amazônica no cotidiano da sala de aula como suportes no processo de ensino-aprendizagem.

Atualmente, a educação de jovens, adultos e idosos está em 38 escolas e atende a cerca de quatro mil estudantes. A previsão para este ano é alcançar novas escolas que abracem a causa da alfabetização destinada a este público.

Texto:

Silvia Sales

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