Quem disse que geladeira velha só serve pra ferro velho? Na Prefeitura de Belém ela vira geloteca, uma geladeira cheia de livros como a que foi instalada nesta quinta-feira, 23, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Paulo Freire, numa parceria da unidade de ensino com a Rede de Gelotecas do Pará, durante uma grande ação cultural em comemoração ao Dia dos Contadores e Contadoras de História, com uma programação voltada para os estudantes, com poesia, música e, claro, muita contação de história.
Esta é a terceira geloteca da rede municipal de ensino. Além da Escola Paulo Freire, as outras duas estão nas escolas República de Portugal e Olga Benário, que também mantêm ensino fundamental. Elas contam com o apoio do Sistema de Bibliotecas Escolares de Belém (Sismube), vinculado à Secretaria Municipal de Educação (Semec).
Arte e cultura – A festa cultural foi dividida em duas apresentações. Pela tarde, a programação foi para os estudantes do fundamental I, com a apresentação do grupo líteromusical Girandolando, que fez uma performance cheia de “poeturas” (poesia, música e literatura).
A atriz e contadora de história Vandiléia Foro apresentou o musical poético “A temperança e o dragão”. Teve também a apresentação da fanfarra literária – grupo musical da escola – e a leitura do poema ” Livre Passarinho”, pela aluna da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai), Raimunda Fátima Gomes, 66.
Dona Raimunda, como é conhecida dentro da escola, começou a estudar em 2022. Aprendeu a ler e escrever e hoje faz parte do grupo de contadores de história da geloteca Paulo Freire. ” É assim, ela (a professora) me dá o livro, levo pra casa e treino bastante. Quando tem uma festinha como essa, eu me apresento. É só alegria, ganho vários presentinhos e homenagens, fico bastante feliz”, conta Fátima. Durante a noite, a segunda apresentação foi voltada para os estudantes da Ejai, que ficaram encantados com os ” contos da buca da noite” narrados pelos contadores de história Katulo Gutierrez, Marcos Razeck e Baeth Magalhães.
Novos leitores – Para a diretora da Escola Paulo Freire, Maria de Jesus Correia, a geloteca é um instrumento para que os estudantes tenham mais contato com a leitura e ajude na formação de leitores.”Esse evento é um instrumento para que as crianças possam ter contato com a literatura e com a poesia. Serve também para fortalecer esse trabalho de formação de leitores que a gente vem fazendo na escola, com a geloteca”, ressalta a diretora.
“Participar dessa programação da biblioteca escolar, através do seu projeto de extensão geloteca Paulo Freire, celebrando a semana da poesia e das contadoras e contadores de histórias, é reafirmar a missão do Sistema Municipal de Bibliotecas Escolares -Sismube – de incentivo à leitura por meio de ações culturais como esta, que aproxima os autores do público leitor, ao mesmo tempo que as narrativas verbais e não verbais semeiam encantamentos e alimentam o imaginário das crianças de todas as idades, que depois vão buscar nos livros este alimento literário, fomentando uma cultura leitora na escola” disse Rita Melém, técnica do Sismube que também integra o grupo Girandolando.
Na escola Paulo Freire a geloteca fica no salão do refeitório, pra facilitar o acesso dos alunos e de toda a comunidade escolar.
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