História em quadrinhos e moda indígena marcam a programação do mês dos povos originários nesta sexta-feira, 14

• Atualizado há 3 anos ago

Criatividade e inovações não faltaram no encerramento do primeiro dia de programação do Abril Indígena “Belém – Mairi: Conquistas e (Re) Existências dos Povos Indígenas”, realizado pela Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec) e da Coordenação Antirracista de Belém (Coant). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 13, no auditório do Centro Cultural e Turístico Tancredo Neves (Centur).

Instrumento

Um dos momentos que fascinaram os participantes foi a oficina “Histórias em quadrinhos e educação indígena: dos conceitos à práxis”, ministrada por Marcelo Borary, professor de arte e filosofia.

A palestra proporcionou aos participantes o contato com uma metodologia do ensino modular, aplicado em Santarém, nas experiências de estudantes e professores indígenas como forma de instrumento para preservar as narrativas dos povos originários, no qual eles são os protagonistas no processo de construção dos materiais didáticos. 

“Trazer a experiência da produção de quadrinhos dentro das aldeias indígenas do Baixo Tapajós é importante, pois outros professores têm a oportunidade de ver como desenvolvi a metodologia. Isso ajuda no fortalecimento das questões na educação indígena, de não educar somente nossos parentes, mas educar a sociedade como um todo e respeitar os povos originários, por meio de quadrinhos, além de dar voz para que eles possam contar suas histórias”, explicou Marcelo.

Aprendizado inovador 

Para quem participou da oficina, o contato e o aprendizado foi inovador. “Esses diálogos são fundamentais, para desmistificar os elementos dos indígenas e um momento em que nós aprendemos com os próprios indígenas”, disse o professor.

Além disso, “aprendi assuntos que não encontramos na internet, como a produção de quadrinhos em outras regiões do estado do Pará, no qual os povos originários contam suas histórias e as perspectivas através do olhar deles, sem a interferência de terceiros”, explicou Felipe Garcia, professor de artes.

O evento encerrou com uma variedade artística apresentada no desfile de moda indígena. As modelos levaram para a passarela pinturas corporais, roupas com grafismos indígenas de todos os tamanhos e artesanatos.

Dos corpos para os tecidos

“A ideia era passar o que a gente faz em nossos corpos para os tecidos, com o intuito de que as pessoas usem as nossas peças, e exibir nosso projeto neste evento, onde temos a oportunidade de mostrar nossa cultura, nossa arte e nosso trabalho”, pontuou Auriene Arapiun, responsável pelo desfile. 

A estudante de medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA) Yasmim Juruna contou que o desfile é uma oportunidade única de interação entre todos.

“É gratificante poder participar deste momento, pois inclui a moda indígena e todos podem conhecer a nossa arte. Além de incluir as pessoas no nosso mundo e a gente se sente bem em poder usar nossas vestes de uma forma moderna”, ressaltou Yasmim.

Programação

Ao longo deste mês, as instituições de ensino da rede municipal vão debater sobre as identidades, lutas e desafios dos povos indígenas com programações diversas em referência à cultura indígena. 

No próximo sábado,15, e domingo,16, das 9h às 14h, no Horto Municipal de Belém, em Batista Campos, será realizada a Ecofeira Indígena, que vai expor e comercializar produtos de diversas etnias. O evento é aberto ao público em geral e gratuito.

Texto:

Leandro Muller

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