O último relatório de outubro de 2022 a junho de 2023 mostrou um avanço na Busca Ativa Escolar realizada pela Secretaria Municipal de Educação (Semec), por meio do programa de transferência de renda Bora Belém. Das 344 visitas aos lares de estudantes para verificar o motivo da evasão escolar, 54 retornaram à sala de aula. Um saldo positivo diante das situações de vulnerabilidade social e adversidades encontradas diariamente pela equipe de assistentes sociais e pedagoga.
A coordenadora do Bora Belém, Márcia Carvalho, lembra que a iniciativa surgiu em 2021, quando a Prefeitura, por meio da Semec, lançou a campanha “Fora da Escola Não Pode!” promovida em parceria com o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), para garantir o direito à educação de crianças e adolescentes da capital paraense.
Endereço não encontrado; endereço encontrado, mas sem ninguém na residência; mudança de endereço ou município; transferência para escolas de outra rede de ensino; problemas de saúde; vulnerabilidade social são algumas das situações encontradas pela equipe da Busca Ativa Escolar revelando os mais diversos motivos de evasão escolar na rede municipal.
Distrito de Outeiro
Na terça-feira, 11 de julho, no mês das férias escolares, a equipe Busca Ativa Escolar esteve no Distrito de Outeiro para finalizar as visitas referentes às notificações feitas pela Escola Municipal Monsenhor Azevedo.
A dona de casa Daiana Silva, de 25 anos, é mãe da estudante Ingrid Luísa Costa Souza, de 7 anos, matriculada na Escola Municipal Monsenhor Azevedo. Ela explicou a ausência da filha por quase um mês e elogiou o cuidado da Prefeitura com os estudantes.
“Acho muito bom esse cuidado com as crianças. Como falei para o professor, eu estava sem dinheiro para o transporte. Também estava grávida e não conseguia andar. Mas agora, com o transporte escolar garantido, ela não vai mais faltar aula. Ainda mais depois de ouvir do professor que a Ingrid é uma menina bem esforçada nos estudos”, disse, orgulhosa, Daiana.
As assistentes sociais Rayra Rafaela Pereira Lobato e Maria de Jesus de Alfaiar Oliveira relataram que, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sempre precisam conscientizar os pais que a garantia à educação dos filhos não é só dever do Estado e que é muito importante avisar a escola o motivo da falta do aluno.
“Nós somos a primeira equipe fazendo a busca ativa na educação. É uma experiência nova, desafiadora, que a gente tem encontrado inúmeras situações sociais, como acesso complicado para chegar na casa do aluno. Mas eu amo esse trabalho de campo”, enfatizou Maria de Jesus, feliz com os resultados conquistados na educação.
Cada escola tem um operador social que faz a notificação na plataforma do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), para que a equipe do Busca Ativa Escolar verifique cada situação. A evasão escolar ainda é um reflexo da pandemia que distanciou as famílias das escolas.
A diretora Lecy Castro está contente com a parceria. “Essa ferramenta veio fazer a diferença. Além da pandemia, as famílias moram em bairros distantes da escola e com o ônibus escolar conseguimos resgatar nossos alunos. A gente nota nas famílias que quando a busca ativa vai até as casas, as crianças retornam pra escola. Teve um dia que tivemos 11 pais que foram reativar o laço com a escola”, contou a diretora.
Após realizar a Busca Ativa Escolar, no mês de junho, nos oito distritos de Belém foi constatado que a maior evasão ocorreu nos bairros do Tapanã e Guamá. Agora, o trabalho continua nas férias escolares.
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