Horto Municipal recebe semana alusiva aos refugiados, migrantes e apátridas acolhidos por Belém

• Atualizado há 3 anos ago

Todos os anos, em 20 de junho, o mundo celebra a força e a coragem das pessoas que foram forçadas a deixar seu país de origem em função de conflitos ou perseguições. Belém, como cidade acolhedora, uniu esforços, por meio do Comitê Municipal para Refugiados, Migrantes e Apátridas, e realizou pela primeira vez, nesta terça-feira, 20, a Semana alusiva ao Dia Mundial do Refugiado e Dia Nacional do Migrante, na Praça Milton Trindade – conhecida como Horto Municipal.

O Comitê é formado por várias instituições como Agência da ONU para Refugiados (Acnur), a Agência da ONU para as Migrações (OIM), a Cáritas Arquidiocesana de Belém, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), o Núcleo de Práticas Jurídicas da Faculdade Cosmopolita (OAB-PA), o Conselho Warao Ojiduna e a organização Sodireitos.

A iniciativa visa defender o direito desta população de buscar proteção, apoiar a inclusão econômica e social e buscar soluções para esta condição, conforme explica o vice-prefeito de Belém, Edilson Moura, que acompanha o Comitê.

Acolhimento e visibilidade

“É uma forma de acolhimento, mas, além disso, é dar visibilidade a essa população. Estamos juntando esforços, por meio de um Comitê voltado para a proteção e defesa dessas pessoas refugiadas, migrantes e apátridas”, afirma o vice-prefeito para ressaltar que a Semana traz exposição de artesanato, debates sobre a situação dessa população e políticas públicas, que estão sendo desenvolvidas e que ainda precisam crescer com novas propostas de atuação para acolher quem chega a Belém nesta condição.

Janaína Galvão, da Acnur, destaca que este ano a instituição traz o tema Esperança longe de casa: Por um mundo inclusivo com as pessoas refugiadas. Hoje existem 110 milhões de pessoas forçadas a se deslocar no mundo e 45 milhões cruzando as fronteiras internacionais com muitos desafios a frente.

“A partir do princípio da responsabilidade compartilhada, ancorada na solidariedade internacional, a gente convoca a comunidade internacional, especialmente aos estados e governos que são atores primários a criarem respostas que sejam efetivas, humanas e inovadoras para essas pessoas”, disse Janaína, feliz porque a celebração é liderada pela Prefeitura com o apoio de organizações internacionais, de pessoas refugiadas e da sociedade civil.

Programação

No primeiro dia, as instituições que compõem o Comitê Municipal para Refugiados, Migrantes e Apátridas de Belém puderam se apresentar e deixar sua contribuição ao público sobre a importância de ter um olhar acolhedor para essas pessoas. Também ocorreram apresentações culturais dos indígenas Warao.

Nesta quinta-feira, 23, a programação continua com a abertura da Feira de Arte e Artesanato, que vai até o dia 25, e mais a roda de conversa para debater “Os desafios do deslocamento forçado”. 

O venezuelano Jhonny Rivas, 40 anos, natural da cidade Del Tamakuto e que faz parte do Conselho Warao Ojiduna – representação sociopolítica dos Warao que residem na região metropolitana de Belém -, conta um pouco da sua história e de como foi recebido.

Recomeço

“Belém é uma cidade tranquila e encontrei oportunidade de moradia para nossas famílias, educação diferenciada para nossas crianças. Aqui é um recomeço bom, porque as instituições deixam falarmos por nós, mostrando a nossa cultura, dança. Somos 800 pessoas em Belém e Ananindeua. Temos professores e até médicos que querem trabalhar”, contou Jhonny, que mora em Outeiro, onde residem 500 pessoas.

Os estudantes da Escola Municipal Helder Fialho Dias, localizada em Outeiro e que atende muitos indígenas Warao, aproveitaram para fazer uma aula passeio. O pequeno João Victor da Costa Silva, de 13 anos, conta que aprendeu muito com a atividade. “Achei que era uma comemoração e aprendi que não é, porque essas pessoas estão sendo forçados a sair do país delas e vou contar os números, gráficos para o meu tio, minha avó, que são adultos, mas não tem conhecimento disso”, comentou o estudante.

Texto:

Tábita Oliveira

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