Com a proposta de ter a participação de todos os habitantes no planejamento da cidade, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec) e da plataforma digital de participação cidadã Tá Selado, vem realizando diversas plenárias nos oito distritos administrativos do município.
Os encontros servem como preparação para o Congresso Mairí das Crianças, marcado para o dia 21 de outubro, na Arena Guilherme Paraense “Mangueirinho”, onde os pequenos cidadãos vão poder apresentar suas propostas ao prefeito Edmilson Rodrigues.
Até o momento, as plenárias já revelam o senso crítico das crianças com relação ao que precisa melhorar em infraestrutura e assistência social em Belém.
Diante das peculiaridades geográficas e populacionais, é perceptível que, em cada território, as reivindicações das crianças são bem distintas, mas sempre demonstram o olhar para o coletivo. Algumas delas surpreendem pela maturidade fora do comum.
O estudante Eduardo de Oliveira Bezerra, de 11 anos, da Escola Municipal Ernestina Rodrigues, em São Brás, fez uma lista com mais de dez propostas. Uma delas é o combate à fome.
“Quero que se crie um banco de alimentos para combater a fome e o desperdício em Belém. Com a doação de alimentos, que estiverem a um mês da validade pelos supermercados e mercados, podemos distribuir para famílias de baixa renda e moradores de rua”, disse o menino, durante a plenária do distrito administrativo de Belém (Dabel). Ela foi realizada no dia 29 de setembro, na escola em que ele estuda, com a participação de 66 crianças representantes de escolas do centro urbano.
Eduardo ainda apontou novas possibilidades para a educação pública, que poderia acrescentar ao currículo escolar aulas de Língua Estrangeira, Língua Brasileira de Sinais (Libras) e outras ideias, que envolvem vários setores públicos.
Na mesma plenária, o estudante Wesley Wilian Machado do Nascimento, de 11 anos, da Escola Municipal Benvinda de França, mostrou preocupação com as pessoas não alfabetizadas, que precisam ser capacitadas para o mercado de trabalho.
“Propus a reforma de Chapéu do Barata, em São Brás, para oferecer cursos, mas também para ser uma biblioteca pública. Além de melhorar a iluminação pública em São Brás”, revelou Wesley contente de ser um dos coordenadores do Congresso.
Crianças das ilhas de Belém surpreendem pelo ativismo ambiental
Rodeados por rios, animais e florestas, mais de 200 crianças do distrito administrativo de Outeiro (Daout) se reuniram na Escola Municipal de Educação do Campo (EMEC) São José, na ilha Grande, no dia 30 de setembro, para compartilhar a importância de cuidar e preservar o meio ambiente para o equilíbrio do ecossistema da cidade, do Brasil e do mundo.
Além de falar as principais preocupações com relação ao comportamento tanto dos nativos quanto dos visitantes. “Não pode jogar lixo no rio, porque pode matar os peixes”, disse o pequeno Wenderson dos Santos, de 6 anos, da Escola Municipal de Educação do Campo Nossa Senhora Navegantes, ao se referir às pessoas que visitam as ilhas e moradores que não esperam a coleta do lixo.
Também foram destacadas outras demandas que os moradores ribeirinhos precisam nas ilhas, como energia de qualidade, torre de internet, centro cultural, biblioteca pública e outros.
Ketlen Vitória Ribeiro Costa, de 8 anos, da Escola Municipal de Educação do Campo Milton Monte, conta que “quando falta energia na ilha, às vezes, a gente fica dias sem energia. A gente precisa de energia de qualidade. Também precisamos de torre de internet para ajudar nos trabalhos de pesquisa da escola”.
A menina ainda ressalta que muitas crianças querem um centro cultural e uma biblioteca pública para as ilhas. “O nosso sonho para Belém é ter uma cidade mais justa, igualitária e, principalmente, inclusiva”, disse Paola Oliveira Moraes, de 10 anos, da EMEC Milton Monte. Ela é coordenadora do Congresso e se apresenta como quilombola, ribeirinha e ativista ambiental.
Territórios – Do centro urbano, passando pelas periferias até as ilhas de Belém, as plenárias são necessárias à construção das políticas públicas na cidade.
“É importante ouvir a demanda das ilhas. O lugar aonde as crianças só chegam de barcos, que só são atendidas se tiver um transporte. Elas dependem completamente de políticas públicas para exercer os direitos constitucionais de ir e vir, de serem atendidas na educação, na saúde e na assistência social”, afirmou Márcia Bittencourt, secretária municipal de Educação.
“A participação das crianças tem sido muito importante. A gente percebe que as crianças não têm um olhar só do eu, da minha rua, elas sempre reivindicam de forma coletiva pedindo mais praças, segurança, falam da água que não chegam a alguns lugares”, avalia Jane Cabral, da equipe de coordenação do Tá Selado, que considera a plenária das ilhas importante, uma vez que é fundamental escutar a cidade inteira, não somente a área urbana.
As plenárias encerram nesta semana escutando, no dia 4 de outubro, as crianças do distrito administrativo da Sacramenta. E, no dia 5, do distrito administrativo de Mosqueiro.
Texto: Tábita Oliveira







