A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec) e da Coordenação Antirracista de Belém (Coant), lançou nesta quinta-feira, 13, a programação Abril Indígena, baseada na temática “Belém – Mairi: Conquistas e (Re) Existências dos Povos Indígenas”.
O evento, que teve como cenário o auditório do Centro Cultural e Turístico Tancredo Neves (Centur), é alusivo ao Dia dos Povos Indígenas, lembrado em todo Brasil no dia 19 de abril.
A mesa de abertura do evento foi composta pela diretora de Educação da Semec, Jaqueline Rodrigues; representante do Conselho Indígena Municipal, Nice Tupinambá; representante da Coordenação de Educação Escolar indígena (Ceeind), vinculada à Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Alex Tembé; representante do Conselho Warao, Gardênia Cooper; coordenadora da coordenação de educação de jovens e adultos da Seduc, Ilka Oliveira; coordenador da Educação Escolar de Indígenas, Imigrantes e Refugiados (Ceeiir), Wender Tembé; e representante indígena da Coant, Jomara Tembé.
Durante a abertura da programação foi pontuado à plateia, formada por estudantes, indígenas e público geral a importância de ser dedicado um mês para debater sobre questões indígenas. Para isso, está agendada uma série de palestras, debates, comunicações orais, exposições fotográficas, oficinas e feira de artesanato indígena.
A estudante do ensino médio da Escola Estadual Ulysses Guimarães Maria Eduarda Macêdo, acompanhada dos colegas de classe, prestigiou a exposição fotográfica “O Manto Tupinambá”. Para ela, o momento “foi único, por ser uma exposição revelando muitas culturas e diversidades. Aprender sobre os nossos antepassados é muito importante e levar esse conhecimento aos colegas que não puderam estar aqui é necessário”.
A cerimônia de abertura foi marcada, também, com a entrega de uma carta de solicitação para realização de políticas públicas na área da educação básica, principalmente às crianças indígenas Warao. O documento foi entregue pela representante do Conselho Warao, Gardênia Cooper, e à diretora da Semec, Jaqueline Rodrigues.
Políticas afirmativas de inclusão
Ao longo deste mês, as instituições de ensino vão debater sobre as identidades, lutas e desafios dos povos indígenas com programações diversas em referência à cultura indígena.
O coordenador da Ceeiir/ Semec, Wander Tembé, destacou que “a Ceeind tem o papel de levar esse conhecimento às escolas municipais não indígenas e mostrar a cultura, o modo de vida e como os povos indígenas se fortalecem nos dias atuais, sobretudo na busca de uma educação melhor. As atividades aqui apresentadas é para os educadores repassarem aos alunos indígenas e não indígenas o valor e a lutas desses povos”.
A coordenadora adjunta Antirracista de Belém (Coant), Jomara Tembé, pontou que a iniciativa da Prefeitura de Belém ao levar às salas das escolas municipais a reflexão sobre o “que é o ser indígena no contexto urbano”. Para ela, é necessário as crianças terem conhecimento nas escolas sobre essa temática específica. Para isso, segundo ela, “o trabalho conjunto feito pela Coant e Semec, esse conhecimento poderá ser levado aos gestores e professores e, consequentemente, repassados às crianças nas escolas”.
Políticas públicas à comunidade indígena na rede municipal
A Coordenação de Educação Escolar de Indígenas, Imigrantes e Refugiados (Ceeiir) visa desenvolver política educacional, com base na interculturalidade e respeito a todos os povos, assegurando direitos sociais das crianças e garantindo os debates sobre as tradições culturais dos povos indígenas no ambiente escolar do município.
As ações integradas realizadas no município de Belém unem esforços institucionais para promover, cada vez mais, acesso a direitos, serviços básicos e inclusão social e econômica com a perspectiva de assegurar a cidadania destes grupos. Essa cooperação foi reconhecida pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados (Acnur) em 2021.
“Nosso governo atua em diversas áreas para atender a demanda de migrantes e refugiados de Belém. Inclusive, por meio de decreto, criamos um Grupo de Trabalho (GT), com atuação da Funpapa e secretarias municipais de Saúde (Sesma), de Saneamento (Sesan), de Educação (Semec) e Coordenadoria de Turismo de Belém (Belémtur), para a criação de políticas para os indígenas Warao”, frisa o prefeito de Belém.
Acesso à educação escolar
Ao garantir acesso prioritário à matrícula na rede municipal de ensino, formações continuadas e monitoria direcionadas à equipe de docentes, a Ceeiir assegurou a inclusão de 258 indígenas de diversas etnias brasileiras e estrangeiras.
Nela se encontram 241 estudantes venezuelanos Warao e 17 indígenas brasileiros matriculados, representando outras etnias, dentre elas, Baré, Xakanywa, Tikuna, Hexkariana, Galibi-Marworno, Kumaruara, Borari, Juruna, Arapiun, Xipaya, Tupinambá e Guajajara.
Ecofeira Indígena
Nos próximos sábado,15 e domingo,16, das 9h às 14h, no Horto Municipal de Belém, será realizada a Ecofeira Indígena, que vai expor e comercializar produtos de diversas etnias. O evento é aberto ao público em geral e gratuito.
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