A Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai) atende pessoas acima de 15 anos, que, muitas vezes, pararam os estudos por terem necessidade de começar a trabalhar cedo para ajudar nas despesas de casa. Diante desta realidade, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec), proporciona aos estudantes dessa modalidade de ensino mais que um conteúdo didático.
Agora, eles têm a oportunidade de aprender a empreender com diversas oficinas de desenho artístico, customização de camisas e artesanato de peso de porta.
As oficinas ocorrem duas vezes por semana com carga horária de 30 horas. O material é todo doado pela Semec. Neste mês de agosto, a Escola Municipal de Benvinda de França Messias, no bairro de São Brás, foi contemplada com a oficina de customização de camisas.
A turma da Ejai composta por 18 pessoas já está com a produção bem adiantada. E, em setembro durante a certificação dos estudantes, as produções ficarão expostas para os profissionais das escolas e demais estudantes. Além disso, há possibilidade de serem adquiridas a um valor simbólico.
Histórias de vida – Cada estudante tem uma história, que faz relação com a proposta da oficina. Rita de Cássia Gonçalves Melo, 15 anos, da 4ª Totalidade da Ejai, recorda a infância.
“Minha família sempre viveu em interior de fazendas, em Itupiranga. Quando eu era pequena, morava lá e via minha mãe costurar roupas. Ela e minha avó costuravam em uma máquina antiga. Gostava muito de costurar as roupas das minhas bonecas. Com este curso, estou aprendendo a fazer algo que minha mãe, minha avó, meus antepassados faziam. É uma oportunidade de aprender e futuramente abrir um negócio”, disse a estudante.
A adolescente perdeu a mãe aos 13 anos de idade e parou de estudar. Mas, agora, morando com a tia em Belém, só pensa em terminar o ensino fundamental e seguir para o ensino médio ano que vem.
Mitchel Wllisses Giriberti de Matos, de 42 anos, da 4ª Totalidade, também recorda que a mãe trabalhava com artesanato, costurando, pintando e bordando camisas.
“Aprendi com a minha mãe, que é artesã, algumas coisas. O curso veio em boa hora, porque é uma oportunidade do aluno aprender algo e depois pode ter uma microempresa, se estabelecer e continuar fazendo outros cursos na escola e até particular”, afirmou Mitchel, natural de Pernambuco (BA). Ele também precisou parar de estudar para trabalhar. Contudo, chegou a concluir o ensino fundamental.
A arte de ensinar – Esta é a oitava oficina ofertada para os estudantes da rede municipal de ensino de Belém. A oficineira Nilza Braga, relata que busca deixar o horário de aula mais leve para os alunos, depois de um dia de trabalho.
“Dou a oportunidade deles criarem seus próprios desenhos. Ensino o caseado, tipo de costura, a técnica de transfer. E, ao longo das aulas, sinto que isso faz uma grande diferença neles, porque vejo o interesse em aprender e continuar produzindo depois do término da oficina. Tenho alunas de outras escolas que já passaram a ganhar dinheiro. Sem falar que a oficina ajuda na autoestima dos estudantes”, disse Nilza.
Ela destaca que as oficinas, muitas vezes, funcionam também com uma terapia para os estudantes, pois ajuda a aflorar a criatividade e espairecer a mente, no fim do dia.
Texto: Tábita Oliveira





