Prefeitura ouve comunidade sobre projeto da primeira escola quilombola de Belém

• Atualizado há 3 anos ago

O acesso à educação é direito de todos. Ao reafirmar essa diretriz, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec), esteve nesta segunda-feira, 3, na Escola Municipal de Educação do Campo (Emec) Angelus Nascimento, no distrito de Mosqueiro, para se reunir com representantes da comunidade escolar e do quilombo do Sucurijuquara.

O encontro foi para dialogar sobre a reforma da Emec Angelus Nascimento e as necessidades de adaptações da estrutura física da escola, para que as obras possam atender aos anseios da comunidade.

“Esses encontros são fundamentais para colher todas as informações que precisamos para enriquecer a execução do projeto de revitalização, e ouvir a comunidade é fundamental nesse processo”, explica a arquiteta do Departamento de Manutenção (Dema) da Semec, Adma Lopes.

“Para a escola ser um espaço que tem por essência a participação da comunidade, é fundamental que todos os atores estejam envolvidos e possam expor suas ideias, e as prioridades nas alterações que devem estar presentes no projeto. É a comunidade que precisa dizer o que e como quer”, reforça a titular da Coordenadoria de Educação para as Relações Étnico-Raciais (Coderer) da Semec, Sinara Dias. 

Educação Quilombola

O Projeto Político-Pedagógico (PPP) da Escola Municipal de Educação do Campo (Emec) Angelus Nascimento está em processo avançado para a regulamentação. Ela será a primeira escola de Educação Quilombola de Belém.

A Angelus Nascimento fica no território quilombola de Sucurijuquara, ao norte da ilha de Mosqueiro, entre o bairro de Carananduba e a Baía do Sol. A comunidade, que tem uma população de 689 habitantes, recebeu o reconhecimento da titulação como território quilombola pela Fundação Palmares em 2014.

Diálogo permanente

A diretora Ivete Gomes é moradora da comunidade e ex-aluna da escola. Ela conta que participar desse processo de elaboração do projeto para uma nova escola é motivo de orgulho.

“Hoje, temos a oportunidade de conhecer as etapas para este momento ímpar para a escola Angelus Nascimento, pois esta reforma terá como beneficio uma qualidade de educação para os nossos alunos, principalmente sendo a primeira escola quilombola da nossa rede municipal de ensino, deve ser uma unidade referenciada”, comemora a diretora.

A reunião também contou com a presença da comunidade quilombola. “Como habitante deste território, é uma felicidade participar deste momento de reforma da escola, que está sendo esperada. A participação da associação de moradores nos deixa muito satisfeitos, porque vai ter a nossa contribuição para um espaço acolhedor, onde nossos filhos se sintam bem para aprender tudo o que for necessário para o crescimento como cidadãos na sociedade”, diz a presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombola da Comunidade do Sucurijuquara  (AREQS), Roberta Vale.

Gestão Antirracista

A titular da Coordenadoria Antirracista de Belém (Coant), Elza Rodrigues, esteve presente na reunião e destacou a importância de que a cooperação entre as secretarias é fundamental na gestão municipal.

“Por ser uma área quilombola, está especificamente dentro da atuação da Coant. E todo o processo e realizações que venham beneficiar essa comunidade do Sucurijuquara. A Coant estará presente. Essa parceria com a  Semec, via Coderer, ao nos convidar para esse processo, identifica como o trabalho interligado é tão necessário”, afirmou a coordenadora da Coant.

Texto:

Leandro Muller

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