Desmistificar estereótipos relacionados às culturas indígenas: com essa meta, a Prefeitura de Belém realizou nesta sexta-feira, 2, mais uma hora pedagógica com educadores da Educação Infantil da rede. Foi mais uma formação continuada, realizada por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec), desta vez com o tema “Abordagens sobre as culturas e saberes indígenas nas escolas”.
O encontro foi conduzido pela Coordenação da Educação Infantil (Coei) e Coordenação da Educação Escolar de Indígenas, Imigrantes e Refugiados (Ceiir), no auditório Ismael Nery, do Centur, com aproximadamente 1.200 participantes nos turnos da manhã e tarde.
A embaixadora das Infâncias, Heliana Barriga, leu uma carta introduzindo alguns pontos importantes para refletir sobre a cultura indígena na educação.
“A dívida com os povos indígenas, pelo nosso esquecimento por suas ações, e a dívida com as crianças que estamos educando: não estou falando aqui sobre o geral, mas a grande maioria que não homenageia corretamente esse povo, que já estava no nosso país quando os brancos colonizadores invadiram”, enfatizou Heliana.
Autores indígenas consagrados
Durante a programação, houve exibição de vídeos e ensinamentos de autores indígenas como Ailton Krenak, Davi Kopenawa e Daniel Mundurucu, com o fim de repensar a percepção de mundo e a educação indígena. Também a maneira de acessar conhecimento, a importância da tradição e vivência, rituais e, principalmente, a importância de ser apenas crianças foram destaques da formação apresentada pelo professor de referência da Ceiir, Gildeon Lima.
“A abordagem educacional do povo originário mora muito mais na oralidade do que no texto escrito. Quando você tem a possibilidade que a sua criança interior interfira no seu processo criativo (plano de aula, planejamento) você vai dar aula como você gostaria de assistir”, reforça o professor Lima.
Alteridade e empatia
A ativista da causa indígena Karina Tupinambá aprofundou uma temática crucial: a diferença entre alteridade e empatia aos povos indígenas no ambiente escolar.
Luana Kumaruara participou do evento representando a Coordenação Antirracitas da Prefeitura (Coant) compartilhando o trabalho desenvolvido aos indígenas que chegam na capital paraense, entre eles, a integração com a Semec na garantida da educação.
O coordenador da Ceiir, Wender Tembé, esteve na abertura da formação para reforçar o trabalho desenvolvido desde 2021 na educação indígena municipal.
A coordenadora pedagógica Daniele Sena dos Santos, da Unidade Pedagógica Jardim das Oliveiras, no bairro da Guanabara, agradeceu a formação, em especial, a indígena: “A gente ainda não tem aluno indígena na nossa unidade, porém queremos formar essas crianças para que elas saibam respeitar todas as culturas e agora estamos tendo essa riqueza de formação e se vai poder multiplicar na nossa escola”, disse Daniele.
A professora e pesquisadora Erica Rezende, da EMEIF Alana de Souza Barbosa, localizada no bairro do Tenoné, relata que já trabalha com as crianças o respeito, o amor ao próximo e à natureza. “Gosto de trabalhar além da sala de aula, como nos ambientes da escola (jardim e pomar). As crianças questionam as vestimentas, culinária, como viviam e como vivem hoje os indígenas. Achei muito importante a formação pra rede e agora vou esperar as oficinas de materiais indígenas para usar em sala de aula”, comentou Erica.
A coordenadora da Coei, Nilcilene Dias, comentou sobre o papel do educador na primeira infância: “Nós, professores, sabemos o quanto somos capazes, trabalhando com as nossas crianças bem pequenas, de transformar socialmente e elas acabam educando as suas famílias também”.
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