Para que educadores populares do programa Alfabetiza Belém compreendam a metodologia da alfabetização para pessoas acima de 15 anos, que não puderam aprender no tempo regular, a Secretaria Municipal de Educação (Semec) realizou uma formação permanente, na sexta-feira, 26, na Faculdade Estácio.
Com o tema: A Etnomatemática e os saberes cotidianos nas turmas de alfabetização de jovens, adultos e idosos, o encontro foi conduzido pelo professor de matemática, Paulo Piedade, especialista em Educação de Jovens, Adultos. Ele destacou os desafios no ensino da matemática para quem está no processo de alfabetização nesta modalidade de ensino. Além da postura do educador diante da dificuldade do estudante de escrever os cálculos.
“Quando a gente vai trabalhar com pessoas da Ejai, geralmente são pessoas que muitas vezes estão afastadas da escola há mais de 30 anos. Temos que entender que só porque o estudante não sabe ler e escrever, não sabe a matemática formal, não quer dizer que não saiba aplicar a matemática no dia a dia”, explicou Paulo.
Matemática no dia a dia
O termo etnomatemática é utilizado para esclarecer que o estudante da Ejai traz pra sala de aula uma vasta experiência de vida. Ou seja, por mais que não saiba passar os cálculos para o papel, ele sabe no seu dia a dia se virar muito bem com a matemática oral.
Paulo também reforça que é preciso evitar a infantilização do ensino em sala de aula, justamente por se tratar de um público que tem uma experiência de vida e também é preciso tomar muito cuidado na forma de corrigir o estudante.
Alternativa – No Ejai os professores utilizam materiais pedagógicos alternativos para o ensino da matemática, como dominó, bingo, ábaco, receitas; de forma adaptada para que os estudantes consigam fazer os cálculos mentais, que já fazem no dia a dia, com as associações propostas pelo professor.
“A minha experiência na Ejai foi na 3ª e 4ª totalidades, estudantes que já foram alfabetizadas ou estão no processo. E agora, essa experiência de alfabetização está sendo a primeira vez aqui na formação. Essa perspectiva de se aproximar mais da vida do aluno e dar contexto social é o que o pensamento de Paulo Freire indica pra gente”, explica Felipe Negrão, 23 anos, aluno do curso de História da Universidade Estadual do Pará, que vai atuar nas turmas do Alfabetiza Belém.
Programa já alcança 4.711 pessoas
O Alfabetiza Belém pretende alfabetizar mais de 11 mil pessoas do município até 2024. Com diversos parceiros entre instituições de ensino superior, movimentos sociais e órgãos municipais e estaduais. O programa atende 39 turmas espalhadas pela cidade, alcançando 653 pessoas, acima de 15 anos, sendo alfabetizadas por 55 educadores populares.
Dentro da rede municipal de ensino há 795 pessoas em processo de alfabetização nas turmas da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai), modalidade de ensino resgatada nesta gestão, que incorporou os idosos. Atualmente, 4.711 pessoas estão matriculadas nas quatro totalidades da Ejai, em 172 turmas.
Texto: Tábita Oliveira


