Projetos inovadores fortalecem a leitura e a escrita na rede municipal de educação

• Atualizado há 4 anos ago

No período de 17 a 19 de janeiro, a Prefeitura de Belém lança quatro chamadas internas, uma espécie de edital, destinadas a educadoras e educadores da rede de ensino municipal que atuam na formação leitora, por meio das bibliotecas escolares, Baú das Histórias e projetos de mediação de leituras.

A responsável pelo chamamento é a Secretaria Municipal de Educação (Semec), por meio do Sistema Municipal de Bibliotecas Escolares (Sismube). “Vamos trabalhar com os gêneros textuais cartas, artigos e relatos de experiências”, conta a coordenadora do Sismube, Andréa Cozzi, ao destacar que neste sábado, 7, é celebrado o Dia do Leitor.

Andréa conta que uma comissão formada por integrantes do Sismube será responsável pela seleção do material, que, ao todo, somará 35 cartas e 63 textos, entre artigos e relatos de experiência.

“Esta ação deixa evidente o nosso foco em formação leitora. Queremos deixar registradas as ações com a leitura literária nos espaços educativos. Então, os nossos esforços seguem neste caminho”, explica a coordenadora do Sismube. “Os documentos selecionados serão publicados como forma de valorizar e incentivar os apaixonados pela literatura em suas mais diversas formas e conteúdos”.

Livro e Leitura

No início do ano, o governo federal criou a Secretaria Nacional de Formação, Livro e Leitura. Mais uma iniciativa para o fortalecimento da educação leitora e inclusiva, que deve ser compreendida como um direito humano, com respeito e valorização às diversidades. Secretaria que vai contribuir com o esforço da Prefeitura de Belém de incentivar a leitura no município.

Nova direção

Andréa Cozzi assumiu, em novembro passado, a coordenadoria do Sismube. Ela é Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM/UFPA/IEMCI) e mestra em Educação, pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), na linha de pesquisa Saberes Culturais e Educação na Amazônia.

Pedagoga, escritora e contadora de histórias, ela acumula uma experiência de 25 anos de educação pública, com foco em formação de leitores. Tem vários livros publicados, dentre os quais o “Inventário Vermelho”, uma coletânea de 27 relatos de mulheres que foram vítimas de violência; “Apanhadores de Histórias”, que segue para a 4ª edição sobre narrativas amazônicas; e o infantil Cata-Vento, um deleite para os bem miudinhos.

Cozzi integra o Movimento de Contadoras e Contadores de Histórias da Amazônia – grupo formado por mais de cem integrantes no Brasil e em outros países -, que há dez anos atua no fortalecimento das narrativas amazônicas, multiplicando as ações em todo o Pará. Também é membro da Academia Brasileira de Contadores de Histórias e da Rede Internacional de Cuentacuentos.

Redário literário valoriza a cultura amazônica no incentivo à leitura

Na Amazônia, o uso das redes também é ideal para acompanhar um momento prazeroso de leitura e com o jeito do paraense.

Largamente utilizada entre as populações da região, a rede – cultura dos povos indígenas – se tornou em Belém mais uma ferramenta de incentivo à leitura.

Inspirada na realidade vivenciada nas áreas de campos, águas e florestas, a Prefeitura de Belém, por meio da Semec, adotou no ano passado a prática pedagógica, que promove a interação entre a comunidade escolar e a família, viajando pelo mundo mágico e encantado da leitura e da escrita: o redário literário, já implantado na Escola Municipal de Educação do Campo (Emec) Cotijuba.

Leitura e acolhimento

A titular da Semec, Márcia Bittencourt, informa que o redário literário passa a integrar o projeto “A Leitura do meu Lugar”, para incentivar nas crianças o gosto pela leitura de uma forma lúdica e confortável.

Ela explica que “é para que elas se sintam na escola como se estivessem em casa, não em uma escola alheia à sua realidade ribeirinha”. E reforça que “os projetos desenvolvidos na escola, com especial atenção à territorialidade dos estudantes, estão associados a um dos princípios da educação do campo, instituída nesta gestão do prefeito Edmilson Rodrigues, que vai expandir a proposta para as escolas da capital paraense”.

A Emec Cotijuba atende a 161 crianças, entre 1 e 5 anos, desde o berçário ao Jardim II. A escola fica na ilha de Cotijuba, a 45 minutos de Belém, em viagem de barco.

Texto:

Silvia Sales

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