Seminário para educadores da rede municipal aborda “13 de Maio” como dia de luta, não de comemorações

• Atualizado há 3 anos ago

Debater os diferentes significados da liberdade das pessoas escravizadas: com este fim, a Prefeitura de Belém promoveu o seminário “Repensando o 13 de Maio”, nesta terça-feira, 9, no auditório da Imprensa Oficial do Estado – (IOEPA). O evento aconteceu por meio da Coordenação de Educação para as Relações Étnicos-Raciais (Coderer), vinculada à Secretaria Municipal de Educação (Semec).

A formação teve como centro os educadores e educadoras da Rede Municipal de Ensino (RME), com o fim de dialogar sobre estratégias pedagógicas que fortaleçam a educação antirracista em Belém, tendo por base a ressignificação o “13 de Maio”, dia da chamada Lei Áurea: não mais como uma data comemorativa, e sim como um marco de luta por direitos para a população negra do Brasil.

“É de suma importância, para qualquer pessoa que discute a temática antirracista, dialogar com  o maior número de pessoas possíveis”, afirmou Sinara Dias, coordenadora da Coderer. “E se tratando de educadores é ainda mais importante, são eles os multiplicadores de conhecimento, de possibilidades de superação do racismo e, como Coderer, pretendemos levar essas ações cada vez mais longe”.

O encontro começou com um momento de ressignificação por meio de poemas musicados de Bruno de Menezes, proporcionado pelo Sistema Municipal de Biblioteca Escolares (Sismube) conduzido pelo professor Luciano Lira.

Formação

Nesta descontração sobre o marco histórico de 13 de Maio, foram abordados temas norteadores, como fortalecer a práxis pedagógica antirracista das educadoras e educadores da rede municipal de Educação (RME); e socializar experiências pedagógicas construídas a partir de núcleos de ensino, pesquisa e extensão da Educação para as relações étnico-raciais (Erer).

A coordenadora pedagógica da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Canto do Uirapuru, Sônia Feio, ressaltou a importância da Erer no processo de formação dos estudantes desde a primeira infância: “É uma formação com um tema de grande relevância que deve ser dito, refletido e falado. E se tratando da formação de crianças da educação infantil, enfatizar a realidade do dia a dia por meio da literatura, oralidade e ludicidade, dando o protagonismo a partir das falas. Assim podemos praticar na realidade do chão da escola”, ensinou Sônia.

Tay Cid, diretora da Escola Municipal Liceu de Artes e Ofícios Mestre Raimundo Cardoso, destacou que essas temáticas dentro do ambiente escolar, por meio de projetos e atividades, são fundamentais para o fortalecimento contra o racismo.

“O liceu é referência da cerâmica, da arte indígena, mas também trabalhamos a questão da afrodescendência”, lembrou Tay. “Neste momento temos a exposição ‘Afrográfica’ acontecendo em nossa unidade. Então é um momento fundamental ter esse debate e no Liceu temos esse dialogo constante em Plano Político-Pedagógico (PPP), em nosso dia a dia através dos projetos e em sala de aula”.

Palestra

Um dos debates teve como tema o “13 de maio não é dia de negro! – Ressignificações à luz de uma sociologia afrocentrada”.

“Trabalhar esse tema com educadores é imperioso, basta dizer que é uma maneira de conscientizar sobre a aplicação da Lei N. 10.639 do ano de 2003: essa lei estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e queremos incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”. Isso também vai ressignificar esta data como um dia luta e resistência para a educação ser presente nesse processo de construção da Erer”, explicou o palestrante Douglas de Oliveira, docente do Instituto Federal do Pará (IFPA) Campus Abaetetuba.

Projetos antirracistas

Nesta sexta-feira, 12, a partir das 14h30, no auditório do Centro de Formação de Educadores Paulo Freire, será lançada a cartilha educativa “Marielle: Direitos Humanos e Antirracismo na Infância”, em parceria com o Instituto Paulo Fonteles (IPF) e a Comissão de Organização do Projeto “Acervo de Memórias, Histórias, Direitos Humanos e Cidadania”, da UFPA.

Texto:

Leandro Muller

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